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gestão patrimonial

Como calcular o seu património: o método em 4 passos, com exemplo

Calcular o património em 4 passos: avaliar os ativos, recensear as dívidas, subtrair e situar-se face à mediana da sua idade. Exemplo com números e calculadora gratuita.

9 min de leituraPor Patrice

Como calcular o seu património: o método em 4 passos, com exemplo

«Quanto vale o meu património?» A pergunta parece simples. No entanto, a maioria das pessoas é incapaz de responder em menos de um minuto — não por falta de dinheiro, mas porque nunca ninguém lhes mostrou como fazer a soma. Um apartamento com crédito, um seguro de vida aberto há dez anos, um plano de ações, um carro, um crédito ao consumo: como é que isso tudo se conta?

Se quer o número já, a calculadora de património líquido faz o cálculo em quatro campos, no seu navegador, e situa-o face à mediana francesa da sua idade. Se quer perceber o que está a calcular — e evitar os erros que falseiam o resultado em dezenas de milhares de euros —, este artigo dá-lhe o método completo, com um exemplo numérico do princípio ao fim.

O que se calcula realmente: o património líquido

Quando se fala em «calcular o património», fala-se quase sempre do património líquido: o que lhe sobraria se vendesse tudo o que possui e pagasse tudo o que deve.

A fórmula cabe numa linha:

Património líquido = Ativos − Passivos

Os ativos são tudo o que tem valor de revenda: imóveis, poupança, investimentos, criptomoedas, participações sociais, objetos de valor. Os passivos são tudo o que deve: crédito à habitação, crédito automóvel, crédito ao consumo, descoberto.

O património bruto — a soma dos ativos, sem deduzir as dívidas — é o número que se cita espontaneamente, e é o errado. Um casal proprietário de um apartamento de 400 000 € com 320 000 € de crédito em dívida tem um património bruto confortável e um património líquido de 80 000 €. São duas realidades muito diferentes; só a segunda descreve a sua situação. O nosso artigo sobre a definição de património líquido desenvolve esta distinção.

Passo 1: listar e avaliar os ativos

É o passo mais longo, e aquele em que mais coisas se esquecem. Proceda por categoria, anotando para cada linha o seu valor de hoje — não o que pagou, não o que espera.

Os imóveis. Habitação própria, segunda habitação, imóvel arrendado, lugar de garagem, unidades de fundos imobiliários. Use o valor de mercado: o preço a que o bem se venderia agora. Os registos públicos de transações dão uma estimativa fiável a partir das vendas recentes na sua zona. Resista à tentação de arredondar para cima — é o erro mais frequente, e infla o resultado em 10 a 20 % sem que ninguém repare.

A poupança e os investimentos. Contas à ordem, contas poupança, seguros de vida, planos de ações, contas de títulos, poupança-reforma e poupança de empresa, criptomoedas. Use o valor de resgate ou a cotação do dia, não as entregas acumuladas: um seguro de vida em que depositou 30 000 € e que hoje vale 36 000 conta por 36 000. Não esqueça a poupança de empresa de um antigo empregador nem a pequena apólice subscrita há muito tempo por conselho de um bancário — são os grandes esquecidos de todos os balanços.

Os outros bens. Veículos, participações sociais, objetos de valor, empréstimos que tenha concedido. Muitos excluem-nos por simplicidade, e é razoável: desvalorizam depressa e pesam pouco. Conte-os se o seu montante alterar realmente o total — um carro de 25 000 € sim, um sofá não.

O que não conta: os direitos futuros. Uma reforma por vir, uma herança esperada, opções sobre ações ainda não adquiridas não são património, são esperanças. Um balanço patrimonial faz-se sobre o que possui hoje.

Passo 2: recensear as dívidas pelo capital em dívida

Aqui há uma única regra, e evita o erro que mais cálculos falseia: o valor de uma dívida é o capital em dívida, ou seja, o que ainda lhe falta pagar hoje. Nunca a prestação mensal. Nunca o montante pedido inicialmente.

Esse número consta do seu plano de amortização, ou do seu homebanking, na linha «capital em dívida». Num crédito à habitação de 250 000 € contraído há oito anos, podem faltar pagar apenas 165 000 €: são 165 000 € que entram no cálculo.

Recenseie tudo: crédito à habitação, crédito automóvel, crédito ao consumo, empréstimo de estudos, descoberto recorrente, dívida familiar. Se tiver vários créditos, some os capitais em dívida.

Passo 3: fazer a subtração, com um exemplo

Tomemos a Clara, 38 anos, trabalhadora por conta de outrem, proprietária do seu apartamento.

AtivosValor
Apartamento (valor de mercado estimado)310 000 €
Contas poupança18 000 €
Seguro de vida (valor de resgate)27 500 €
Plano de ações14 200 €
Poupança de empresa (antigo empregador)4 800 €
Carro9 000 €
Total de ativos (património bruto)383 500 €
PassivosCapital em dívida
Crédito à habitação214 000 €
Crédito automóvel5 500 €
Total de passivos219 500 €

Património líquido da Clara: 383 500 − 219 500 = 164 000 €.

Duas observações sobre este exemplo. Primeiro, a diferença entre bruto e líquido: 383 500 € de um lado, 164 000 € do outro. É o crédito à habitação que faz a diferença, e é normal aos 38 anos. Segundo, os 4 800 € de poupança de empresa: a Clara tinha-se esquecido deles. Este tipo de linha, multiplicado por três ou quatro rubricas negligenciadas, muda realmente o resultado.

Para obter este número no seu caso em trinta segundos, introduza os seus quatro totais — imóveis, poupança e investimentos, outros bens, dívidas — na calculadora de património líquido. Os seus valores ficam no seu navegador.

Passo 4: situar-se, e depois acompanhar a evolução

Obtido o número, a pergunta seguinte surge sozinha: é muito?

A única comparação honesta é com o património mediano dos agregados da sua idade — não com a média, que alguns grandes patrimónios puxam para cima e que não descreve ninguém. Segundo o INSEE, o instituto de estatística francês, o património líquido mediano ronda os 15 000 € antes dos 30 anos, 85 000 € entre os 30 e os 39, 160 000 € entre os 40 e os 49, 210 000 € entre os 50 e os 59, e atinge o máximo perto dos 250 000 € entre os 60 e os 69. A Clara, com 164 000 € aos 38 anos, está claramente acima da mediana do seu escalão. O nosso artigo sobre o património por escalão etário explica como ler estes números — e porque é que a diferença face à mediana depende sobretudo da herança, do preço do imobiliário local e do calendário de vida. A calculadora usa estas mesmas medianas francesas como referência.

Mas a comparação mais útil não é com os outros. É consigo mesmo, há um ano. Um património líquido de 60 000 € que cresce 10 000 € por ano conta uma história melhor do que 150 000 € que estagnam. O cálculo só tem valor se for repetido: refaça-o em data fixa, uma vez por trimestre ou por ano, e observe a curva.

Os erros que falseiam o cálculo

Quatro erros repetem-se em quase todos os primeiros cálculos. Conhecê-los basta para os evitar.

Contar os imóveis ao preço de compra. Um bem comprado por 200 000 € há doze anos não vale 200 000 hoje — nem necessariamente 300 000, diga o vizinho o que disser. Use transações reais.

Tomar a prestação em vez do capital em dívida. Uma prestação de 1 100 € não é uma dívida de 1 100 €: talvez sejam 180 000 € que faltam pagar. Esta confusão faz aparecer um património líquido muito superior à realidade.

Esquecer ativos. Poupança de empresa, seguro de vida antigo, conta num segundo banco, cripto numa plataforma abandonada. Faça o inventário de uma vez por todas, e anote onde está cada linha.

Ignorar os passivos, ou contar só uma parte. No crédito à habitação toda a gente pensa. No crédito automóvel, no crédito renovável e no descoberto crónico, muito menos. E pesam no seu rácio de endividamento, que mede que parte dos seus ativos é financiada a crédito — o outro número a vigiar a par do património líquido.

Conclusão

Calcular o património são quatro passos: avaliar os ativos ao valor de hoje, recensear as dívidas pelo capital em dívida, subtrair e situar-se. A fórmula é simples; é o inventário que exige cuidado, e é a repetição que dá valor ao número.

Faça-o uma primeira vez com a calculadora, em trinta segundos. Depois, se o número lhe interessar o suficiente para o querer rever daqui a seis meses, dê-lhe um sítio onde viver.

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